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DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM

DAR O QUE SOBRA NÃO TEM A MARCA DE DEUS

1. Um braçado de gravetos, um copo de água, um punhado de farinha, um tudo nada de azeite. Juntando as pontas destes fios soltos, a viúva de Sarepta prepara-se para fazer uma última refeição de despedida da vida juntamente com o seu filho único. É nesta terra quase a terminar, onde já mal se tem pé, nesta vida quase a expirar, que surge Elias, o homem de Deus, conduzido por Deus, que atira à pobre mulher mais um fio de voz e de esperança a que se agarrar: Deus. Não é a quantidade que importa; o que importa é a totalidade. Pelo fio de voz e de esperança de Elias, Deus não reclama alguma coisa; reclama tudo: o coração todo, a alma toda, a confiança toda, as forças todas! E nem a farinha se esgota na amassadeira, nem o fio de azeite deixa de cair da almotolia! Extraordinária lição para a pobre viúva de Sarepta (Primeiro Livro dos Reis 17,10-16) e para nós, que atravessamos a secura da paisagem desta terra de Novembro.

2. O coração todo, a alma toda, a confiança toda, as forças todas: assim se ouve ou se lê no famoso Shemaʽ Yisraʼel [= «Escuta, Israel], de Deuteronómio 6,4-5, que tivemos a graça de ouvir no Domingo passado. E nesse lugar se diz também a Israel que deve formar com essas palavras um fio de luz e de sentido que deve atar ao coração, às mãos, aos pés, aos filhos (Deuteronómio 6,6-9). Este fio é fundamental para segurar as pontas soltas dos podres, pobres fios da nossa vida.

3. Bem, neste contexto, o fio ou a linha poética e melódica do Salmo 146, que põe Deus tão perto de nós, a fazer justiça aos oprimidos, a dar pão aos que têm fome, a tomar a seu cuidado o órfão e a viúva, e a atirar-me todo para Deus, com aquele grito repetido: «Ó minha alma, louva o Senhor!». O Salmo 146 é uma espécie de carrilhão musical, e convida-nos a cantar os «doze belíssimos nomes» de Deus, decalcando aqui a expressão muçulmana que exalta os «99 belíssimos nomes» de Allah. É claro que os doze nomes que passaremos em revista não celebram tanto a essência divina, mas a sua acção em favor das suas criaturas, sobretudo dos mais pobres e desfavorecidos. É assim que o Salmo evoca o Deus que fez o céu, a terra, o mar, o Deus Criador (1), o Deus da verdade (ʼemet) (2), o Deus que faz justiça aos oprimidos, defensor dos últimos (3), que dá pão aos famintos (4), que liberta os prisioneiros (5), que abre os olhos aos cegos (6), que levanta os abatidos (7), que ama os justos (8), que protege os estrangeiros (9), que sustenta o órfão e a viúva (10), que entrava o caminho dos ímpios (11), o Deus que reina eternamente (12). Este maravilhoso Salmo ajuda-nos a saborear musicalmente toda a liturgia de hoje.

4. Na verdade, «Deus habita nos louvores de Israel» (Salmo 22,4). Habita nos nossos louvores, na nossa dedicação e devotação total a Ele, na nossa vida posta em melodia, fio ou linha melódica que ata o nosso coração ao coração de Deus, a nossa mão à mão de Deus. Foi assim, sacerdotalmente, que Jesus Cristo se ofereceu totalmente ao Pai e a nós e por nós, deixando-nos à espera e a viver dessa espera na esperança da sua Vinda. Um fio tenso de luz e de sentido, a que se chama esperança, nos ata para sempre a esse Senhor-que-Vem. Fio ou linha musical, vital, de cada Domingo, em que cantamos: «Senhor, vem!» (marana tha’), porque sabemos que «o Senhor vem!» (maran ’atta’). O Dia de Domingo deve imprimir em nós o «tique» da esperança, deixando-nos com o pescoço esticado para Deus, situação de quem O espera e vive da sua Vinda a todo o momento. É a Lição de Hebreus 9,24-28.

5. O Evangelho deste Domingo XXXII do Tempo Comum, Marcos 12,38-44, põe em cena e em claro destaque uma viúva pobre que dá a Deus a sua vida toda, em contraponto com os escribas e muitos outros, que fazem bom teatro religioso (não é o caso do escriba do Domingo passado). Excelente inclusão literária no Evangelho de Marcos: da primeira vez que Jesus aparece a ensinar em público, neste Evangelho, o povo exclama: «Este ensina com autoridade, e não como os escribas!» (Marcos 1,22); a terminar a sua atividade pública neste Evangelho, é Jesus que mostra bem que não é como os escribas (Marcos 12,38-40). A cena central passa-se no átrio das mulheres do Templo de Jerusalém, num lugar chamado «Casa do Tesouro» (bêt ha-gazît) (Marcos 12,41-44). Muita gente deitava aí muito do que lhe sobrava, mas a viúva pobre deu «tudo quanto tinha, a sua vida toda!». Fio de sentido que liga este episódio ao que já encontrámos no Primeiro Livro dos Reis 17,10-16.

6. O Evangelho refere que a viúva é pobre. Duplamente desfavorecida, portanto. Enquanto viúva e enquanto pobre. Mas a tecla que soa mais forte, é que deu tudo, ainda que tenha dado pouco: duas pequenas moedas (leptà dýo), ou seja, um quadrante (kodrántês). O quadrante é uma coisa insignificante: é a sexagésima quarta parte de um denário! A pobre viúva recuperá-lo-ia rapidamente, mal se pusesse a pedir! O acento não está posto na quantidade, mas na totalidade. É bom que, observando bem esta cena exemplar, aprendamos a passar da mera ajuda para o dom de nós mesmos. Dom total. O discípulo de Jesus, à maneira de Jesus, deve pôr em jogo a própria vida, e não simplesmente os adereços. Tudo, e não apenas o supérfluo. Dar o que sobra não tem a marca de Deus, não é fazer a verdadeira memória de Jesus, que se entregou a si mesmo por nós (Efésios 5,2), por mim (Gálatas 2,20). O supérfluo deixa a vida intacta. O dom de si mesmo transforma a vida para sempre. A marca deste dom é a totalidade e a definitividade.

7. Dar a vida toda ou entreter-se com os adereços, eis a verdadeira questão, meu irmão deste Domingo de novembro.

 

Uma nuvenzinha,

Que o criado de Elias avista lá ao longe,

Acende de esperança o horizonte,

Como uma cidade iluminada sobre um monte,

Uma avezinha que se dessedenta numa fonte,

Uma velhinha que recolhe um braçado de gravetos,

Para acender o lume

E cozer apenas um pãozinho

Para comer com o seu filho

Antes de rezar e de morrer.

 

Elias anda ao sabor de Deus,

Como um moinho ao vento,

Como um pássaro ao relento,

Como a voz de um fino silêncio,

A amadurar no coração de um grão de trigo

Ou de um amigo.

 

Tudo é tão frágil e tão belo,

Belo porque frágil

E ágil.

 

Anda tanto Deus à nossa volta,

Que não precisamos de guarda

Nem de escolta.

 

Concede-nos hoje, Senhor,

Sentir a tua voz bater em nós,

E o teu amor sempre ao redor,

Sempre ao redor,

Como Tu achares melhor.


D. António Couto (Biblista e Bispo da diocese de Lamego)

Fonte: https://mesadepalavras.wordpress.com/

XXXII Domingo do Tempo Comum do Ano B

Domingo dos Povos / Dia de São Martinho

Domingo dia 11 de Novembro celebramos o XXXII Domingo do Tempo Comum do Ano B. É também o dia dos Povos e o dia de São Martinho! Todos juntos, ainda que provenientes de vários povos e regiões da terra, formamos todos um só povo! O povo de Deus; Um só Pai comum a todos nós! Ele deseja que vivamos em paz e harmonia na base do respeito pelas nossas diferenças humanas, mas nunca poderemos esquecer, que se Deus é nosso Pai, por consequência os outros são nossas irmãs e irmãos!

O Evangelho deste domingo também nos recorda que darmo-nos e darmos são atitudes fundamentais de quem segue Jesus.

Mc 12, 38-44Naquele tempo, Jesus ensinava a multidão, dizendo: «Acautelai-vos dos escribas, Resultado de imagem para viuva deu tudoque gostam de exibir longas vestes, de receber cumprimentos nas praças, de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes. Devoram as casas das viúvas, com pretexto de fazerem longas rezas. Estes receberão uma sentença mais severa». Jesus sentou-Se em frente da arca do tesouro a observar como a multidão deitava o dinheiro na caixa. Muitos ricos deitavam quantias avultadas. Veio uma pobre viúva e deitou duas pequenas moedas, isto é, um quadrante. Jesus chamou os discípulos e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Esta pobre viúva deitou na caixa mais do que todos os outros. Eles deitaram do que lhes sobrava, mas ela, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver».

Este domingo Jesus desafia-nos a SERMOS em vez de parecermos.

O exemplo de vida de São Martinho, Bispo de Tours, que celebramos também este domingo é testemunho desta vivência da Boa Nova de Jesus, uma entrega de si e partilha com os irmãos de forma autêntica! Como relata a história que chegou até nós, certo dia quando São Martinho era ainda um soldado ao serviço do império romano, estava muito frio, ele seguia no seu cavalo e na entrada de uma cidade encontrou um pobre que tremia de frio, ele parou, rasgou a sua capa ao meio e partilhou com o mendigo a sua capa de soldado romano! Fica-nos também o desafio, partilharmos quem somos uns com os outros e o que temos!

Em Luzern celebraremos a Eucaristia às 11h30 com a comunidade Suíça! Venha celebrar a fé em comunidade alargada! De seguida teremos um convívio de São Martinho entre todos no Pfarreiheim para vivermos a fraternidade! Traga também algo para partilhar na refeição!

Venha celebrar connosco, contamos com a sua presença!

Grupos de Jovens das nossas Comunidades

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Os jovens portugueses das nossas comunidades têm a possibilidade de fazerem parte dos nossos grupos de jovens: J.U.C. em Sursee e Talentos Lusitanos em Luzern. Os grupos têm páginas no facebook onde é possível acompanhar as suas actividades.

Se gostavas de fazer parte de um destes grupos junta-te a nós! Se conhece algum jovem que poderia integrar os grupos divulgue esta informação!

Para visitar as páginas no facebook clique nas imagens ou nos nome abaixo:

J.U.C.

Talentos Lusitanos

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