Bem vinda(o) ao site da nossa Missão!

A nossa Missão é activa, celebramos Missas em português, temos Catequese, grupos Corais, grupos de jovens, Grupos de preparação para o Crisma, preparações de Baptismos, preparações de Casamentos, reuniões de Catequistas, reuniões de Pais, acompanhamos as pessoas, visitamos os doentes, Festas de Nossa Senhora de Fátima… diversas festas e eventos na Comunidade ao longo de cada ano Pastoral. Junte-se a nós!

Como informado, não iremos ter a celebração da Eucaristia durante alguns domingos devido à situação global do coronavírus. Reconhecendo como afirmam os especialistas que o isolamento social é uma das principais formas de prevenir o contágio, durante algumas semanas seremos privados das nossas actividades. Portanto aproveitemos para exercer a humildade e o recolhimento para nos aproximarmos ainda mais de Deus e fortificarmos a relação com o nosso próximo e rezar por todos nós.
 Missas online
Veja aqui duas listas
(Site Ecclesia e Patriarcado de Lisboa)
clique nas imagens para aceder:

 

Aqui ficam algum horários possíveis e players online sendo possível assistir a partir do nosso site:
Santuário de Fátima- Diariamente
(Eucaristias hora de Portugal – 11h00 e às 19h15 e terço – 18h30 e 21h30)
 (Eucaristias hora da Suíça – 12h00 e às 20h15 e terço – 19h30 e 22h30)

Rádio Canção Nova
Eucaristia diariamente às 11h de Portugal
(12h da Suíça )
(clique na imagem para ouvir a rádio)
 

 

 RTP – Domingo – Eucaristia às 10h30 de Portugal
(11h30 da Suíça )
(clique na imagem para ver o canal)
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/76/RTP.svg/768px-RTP.svg.png

 

Celebrar em Família

Nestes tempos em que somos privados de celebrar em comunidade pelo bem comum, fica aqui uma proposta para rezar e celebrar em família:

CelebFamilDiaSenhor5DomQua

Domingo V Quaresma – Ano A

EVANGELHO Jo 11, 1-45

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, estava doente certo homem, Lázaro de Betânia, aldeia de Marta e de Maria, sua irmã. Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com perfume e Lhe tinha enxugado os pés com os cabelos. Era seu irmão Lázaro que estava doente. As irmãs mandaram então dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». Os discípulos disseram-Lhe: «Mestre, ainda há pouco os judeus procuravam apedrejar-Te e voltas para lá?». Jesus respondeu: «Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem luz consigo». Dito isto, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro dorme, mas Eu vou despertá-lo». Disseram então os discípulos: «Senhor, se dorme, estará salvo». Jesus referia-se à morte de Lázaro, mas eles entenderam que falava do sono natural. Disse-lhes então Jesus abertamente: «Lázaro morreu; por vossa causa, alegro-Me de não ter estado lá, para que acrediteis. Mas, vamos ter com ele». Tomé, chamado Dídimo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele». Ao chegar, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Betânia distava de Jerusalém cerca de três quilómetros. Muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria, para lhes apresentar condolências pela morte do irmão. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». Dito isto, retirou-se e foi chamar Maria, a quem disse em segredo: «O Mestre está ali e manda-te chamar». Logo que ouviu isto, Maria levantou-se e foi ter com Jesus. Jesus ainda não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar em que Marta viera ao seu encontro. Então os judeus que estavam com Maria em casa para lhe apresentar condolências, ao verem-na levantar-se e sair rapidamente, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para chorar. Quando chegou aonde estava Jesus, Maria, logo que O viu, caiu-Lhe aos pés e disse-Lhe: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido». Jesus, ao vê-la chorar, e vendo chorar também os judeus que vinham com ela, comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: «Onde o pusestes?». Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». E Jesus chorou. Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?». Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?». Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

1. Leitura
Leio pausadamente o Evangelho Jo 11,1-45. Relaciono-o com a Paixão de Cristo.
– Através do ritmo, detalhes, emoções expressas e diálogos, alcanço a mensagem. O que me diz, o que me faz sentir?
– Sublinho o importante; fixo o essencial. Esta Palavra é-me dirigida.

2. Meditação
No quarto Evangelho, a devolução à vida de Lázaro remete para o maior sinal: a morte e ressurreição de Jesus. Ao “deixa passar” dois dias, Cristo torna o tempo divino. Tal como ocorrerá com Ele, só ao terceiro dia a ação salvífica de Deus começa a desencadear-se: Jesus dirige-se a Betânia, desafia e fortalece a fé de Marta e Maria e, por fim, o amigo é chamado de novo à vida. Esta passagem revela-me também as emoções do Mestre: comove-se, perturba-se, chora, brada. Tudo por amor. A Boa Nova é que Deus continua a chorar comigo e a amar por meio de mim. Também neste tempo.

3. Oração com Deus
Que tempo este, Senhor! Todos recomendam ficar em casa e, Tu, desafias-me a sair!?
Mas o teu Evangelho não fala em sair de casa, mas sim do túmulo. Não Te referes à pandemia, mas à vida mais forte que a morte. Não me pedes para sair para a rua, mas de tudo quanto me aprisiona interiormente. Não esperas de mim que seja temerário com a vida, minha e alheia. Pelo contrário, alentas-me a não ceder ao medo contagioso, ao alarmismo asfixiante. Queres-me de pé perante a adversidade, realista e confiante na tempestade. Por tudo isso, bradas com voz forte: Vem para fora!
É dos meus túmulos que tenho de sair: medo, desespero, autossuficiência egoísta, indiferença com os outros… Tantas atitudes que declaram morte espiritual, que atrofiam o coração. Diante de Ti, analiso os meus sentimentos atuais. Cura-me do egoísmo. Liberta-me da opressão da incerteza.
Como sei que posso confiar em Ti, nestes tempos difíceis? Porque choraste pelo teu amigo Lázaro. Reconheço: falho-Te muitas vezes, mas quero ser teu amigo. Sei, sobretudo, que me queres Bem. E, nesta hora, preciso de Ti… E tantos outros também.
Senhor, o(s) teu(s) amigo(s) está(ão) doente(s)… no corpo e/ou na alma. Dá-me força e coragem, a mim e a todos, para lutar e sair dos nossos males.

4. Contemplação
Senhor, Tu és a força e coragem da vida em mim. A tua Palavra é ancora e porto seguro na tempestade. Como Lázaro, reergues-me. Amparado em Ti, saberei cuidar dos outros. Por isso, louvo-Te e abandono-me nas tuas mãos. ConTigo, fico em paz. Agradeço, contemplo e adoro. Inspira-me o que esperas e mereces de mim.
Apoiado em Ti, ouso comprometer-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

UM PENSAMENTO
“O verdadeiro inimigo da morte não é a vida, mas o amor”. (Ermes Ronchi)

PROVOCAÇÕES
– Acredito que o Deus de Jesus é o Deus da vida?
– Estou comprometido na libertação dos outros?
– Nesta Páscoa, que farei pela minha libertação e pela dos outros?

UM PROPÓSITO
Pedir ao Espírito Santo a graça da confiança no meio da tormenta.

UMA ORAÇÃO-POEMA

Senhor, o teu amigo está doente…
Dias de espera sabem a eternidade
Quando percebo o fim sem amanhã
E parece tardia a Tua voz, ao ecoar.
Eu acredito: serás ressurreição e vida.
Mas, em mim, é a morte quem soluça.
Inconformado, bradas: Vem para fora!

Senhor, em quarentena, sair não posso,
Em medos e autossuficiência, sepultado.
Pode a humana dor estremecer o divino?
Sim. Do teu coração que chora, aprendo:
Ressurreição e vida são para o presente
Tendo a fé por lugar e o amor por força.
Vem para fora de ti mesmo! Vive hoje!

UMA CANÇÃO
Zach Williams – Rescue Story

Textos: Pe. Serafim Reis

Liturgia e Comentários – V Domingo da Quaresma – Ano A

Clique aqui:

Dehonianos.org

 

Mesa de palavras (Textos de D. António Couto) 

iBreviary

Neste site/app pode rezar diariamente o

Ofício de Leitura, as Laudes, a Hora Intermédia, Vésperas e Completas.

Liturgia das Horas

Clique na Imagem para aceder

Leituras do dia

Clique na Imagem para aceder

A Missão Católica de Língua Portuguesa da Suíça Central informa o CANCELAMENTO da peregrinação a Einsiedeln que estava prevista para o dia 31 de Maio deste ano. Esta decisão foi tomada pelo mosteiro e pelas autoridades civis de Einsiedeln.

A Editora Paulus disponilizou livros de forma gratuita para vivermos esta Quaresma e Páscoa.
Clique no site para aceder:
https://paulus.pt/covid-19-materiais-para-toda-a-familia

Do site da Editora Paulus:

Os tempos pedem que fiquemos em casa, a cuidar de nós e dos nossos. A PAULUS Editora não quis deixar de contribuir, disponibilizando gratuitamente alguns conteúdos para toda a família. Este é o nosso contributo para que passe por esta quarentena da melhor forma possível.

Os livros são sempre boas companhias, por isso desfrute e, não se esqueça: este é o tempo de ficar em casa.

Os tempos pedem que fiquemos em casa, a cuidar de nós e dos nossos. A PAULUS Editora não quis deixar de contribuir, disponibilizando gratuitamente alguns conteúdos para toda a família. Este é o nosso contributo para que passe por esta quarentena da melhor forma possível.

Os livros são sempre boas companhias, por isso desfrute e, não se esqueça: este é o tempo de ficar em casa.

Para os crescidos pode descarregar aqui:

http://conteudo.paulus.pt/…/espirito_da_quaresma_oferta_mar…

Para os mais pequenos pode descarregar, aqui:

https://bit.ly/actividades1-gratuito

https://bit.ly/actividades-gratuito-2

https://bit.ly/oferta-actividades3

Com a passada Quarta-feira de cinzas, (que nos recorda a nossa fragilidade humana) iniciámos o tempo da Quaresma que se prolongará até à Missa da Ceia do Senhor. Ao longo deste tempo, que se estende por 40 dias, somos convidados a uma permanente conversão, a uma caminhada mais aprofundada que vá de encontro ao caminho que Jesus nos testemunhou e nos propõe. É o tempo que nos ajuda a preparar a celebração da Páscoa!

O tempo da Quaresma deve ser tempo de prática mais intensa das boas obras, particularmente das chamadas “obras de misericórdia”, sob a forma mais adequada às circunstâncias de cada um; mas, em qualquer caso, tudo há-de sair do coração sincero e penitente e conduzir à renovação, cada ano mais profunda desse mesmo coração, sob o único olhar de Deus. “A discrição é o perfume de todas as virtudes”, diz um Santo.

Diz-nos o Missal Romano sobre a Quaresma:

III. O Tempo da Quaresma
27. O Tempo da Quaresma destina-se a preparar a celebração da Páscoa: a liturgia quaresmal prepara para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, através
dos diversos graus da iniciação cristã, como os fiéis, por meio da recordação do Baptismo e das práticas de penitência.

28. O Tempo da Quaresma decorre desde a Quarta-Feira de Cinzas até à Missa da Ceia do Senhor exclusiva. Desde o início da Quaresma até à Vigília Pascal não se diz Aleluia.

29. Na Quarta-Feira do início da Quaresma, que em toda a parte é dia de jejum, faz-se a imposição das cinzas.

30. Os domingos deste Tempo são denominados domingos I, II, III, IV, V da Quaresma. O sexto domingo, que inicia a Semana Santa, denomina-se “Domingo de
Ramos na Paixão do Senhor”.

31. A Semana Santa destina-se a comemorar a Paixão de Cristo desde a sua entrada messiânica em Jerusalém. Na Quinta-Feira da Semana Santa, de manhã, o Bispo, concelebrando a Missa com o seu presbitério, procede à bênção dos santos óleos e consagra o crisma.

Eis um tempo favorável a olharmos para o nosso interior e percebermos o que precisamos de trabalhar em nós para nos sintonizarmos melhor com Jesus Cristo!

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A QUARESMA DE 20
20

«Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20)

 

Queridos irmãos e irmãs!

O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, perne da vida cristã pessoal e comunitária. Com a mente e o coração, devemos voltar continuamente a este Mistério. Com efeito, o mesmo não cessa de crescer em nós na medida em que nos deixarmos envolver pelo seu dinamismo espiritual e aderirmos a ele com uma resposta livre e generosa.

1. O Mistério pascal, fundamento da conversão

A alegria do cristão brota da escuta e receção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus: o kerygma. Este compendia o Mistério dum amor «tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo» (Francisco, Exort. ap. Christus vivit, 117). Quem crê neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasora do «pai da mentira» (Jo 8, 44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva.

Por isso, nesta Quaresma de 2020, quero estender a todos os cristãos o mesmo que escrevi aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123). A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas passoas que sofrem.

2. Urgência da conversão

É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível «face a face» com o Senhor crucificado e ressuscitado, «que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gl 2, 20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De facto, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.

Por isso, neste tempo favorável, deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. Portanto não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

3. A vontade apaixonada que Deus tem de dialogar com os seus filhos

O facto de o Senhor nos proporcionar uma vez mais um tempo favorável para a nossa conversão, não devemos jamais dá-lo como garantido. Esta nova oportunidade deveria suscitar em nós um sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor. Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação connosco. Em Jesus crucificado, que Deus «fez pecado por nós» (2 Cor 5, 21), esta vontade chegou ao ponto de fazer recair sobre o seu Filho todos os nossos pecados, como se houvesse – segundo o Papa Bento XVI – um «virar-se de Deus contra Si próprio» (Enc. Deus caritas est, 12). De facto, Deus ama também os seus inimigos (cf. Mt 5, 43-48).

O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que «não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades» (At 17, 21). Este tipo de conversa, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, carateriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também num uso pervertido dos meios de comunicação.

4. Uma riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo

Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.

Também hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação dum mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo. Podemos e devemos ir mais além, considerando as dimensões estruturais da economia. Por este motivo, na Quaresma de 2020 – mais concretamente, de 26 a 28 de março –, convoquei para Assis jovens economistas, empreendedores e transformativos, com o objetivo de contribuir para delinear uma economia mais justa e inclusiva do que a atual. Como várias vezes se referiu no magistério da Igreja, a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927). E sê-lo-á igualmente ocupar-se da economia com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-aventuranças.

Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14).

Roma, em São João de Latrão, 7 de outubro de 2019,
Memória de Nossa Senhora do Rosário.

Franciscus

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